sábado, 1 de maio de 2010


Adolescentes sem vontade de ir às urnas
Número de jovens entre 16 e 17 anos que tiraram o Título de Eleitor cai 28% em 2010. Prazo para se alistar termina em 5 de maio
O prazo para tirar o Título de Eleitor termina no próximo dia 5, mas muitos jovens ainda não se alistaram. Desde a última eleição, o número de eleitores brasileiros com 16 e 17 anos — que têm o voto facultativo — caiu 28%. Os adolescentes, que em 2006 ultrapassavam 2,4 milhões de votantes, não chegam a 1,8 milhão este ano. A queda também atingiu o Distrito Federal, mas em menor proporção. O total de eleitores com menos de 18 anos diminuiu 10,6%, o que significa uma baixa de 2.489 votantes nessa faixa etária. Para estas eleições, já se alistaram mais de 59 mil eleitores candangos de 16 a 18 anos. A estudante Alícia Cannes, que completa 16 anos em maio, engrossa essa estatística. Ela diz que prefere não votar porque está insatisfeita com a política brasileira. “Para mim, nenhum dos candidatos é bom o suficiente, cada um tem alguma coisa que estraga”, observa. “As pessoas deveriam se importar mais quando os políticos erram e protestar para mudar alguma coisa.”

O comportamento de Alícia é considerado normal na avaliação da professora de ciência política da Universidade de Brasília Lúcia Avelar. “Os jovens, em geral, podem ter tanto um desencanto e achar que não tem jeito mesmo, que todo mundo é ladrão, quanto fazer parte dos movimentos pela prestação de contas dos políticos, o chamado controle cidadão.” É desse segundo grupo que fazem parte os estudantes da UnB responsáveis pela criação do movimento Vote Para Mudar. “Nosso objetivo é fomentar a importância do voto, mostrar que cada um faz a diferença”, explica a estudante de direito Talitha Selvathi, 24.

O grupo estimula o alistamento eleitoral, com visitas a colégios e a universidades do DF. Nelas, é realizado o cadastro no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A partir de então, os novos eleitores têm cinco dias para completarem o registro em qualquer cartório eleitoral. Ao todo, cerca de 300 jovens já se alistaram com o movimento. A estudante da UnB
Gabriela Rondon, 19, foi uma delas. “Isoladamente o voto não muda nada, mas, quando um conjunto se mobiliza, sim”, ressalta. De acordo com Lucia Avelar, a participação de jovens na política está associada aos diferentes graus de escolaridade e condições socioeconômicas. “Os mais educados são muito mais interessados na política. Muitas vezes fazem inclusive parte dos movimentos sociais que atuam na política. Do outro lado, estão os que trabalham e se interessam pela política apenas lateralmente - ou seja, pensam nisso de vez em quando, vão a uma ou outra mobilização por ano, a não ser que tenham tido algum contato com pastorais, igrejas, que normalmente politizam esses jovens.”

Eleitor do Futuro - Com o objetivo de estimular a participação dos jovens eleitores, outras iniciativas foram tomadas. O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) desenvolve há mais de seis anos o projeto Eleitor do Futuro. O programa é uma parceria com a Secretaria de Educação do Distrito Federal e busca conscientizar jovens estudantes da importância do voto, por meio de debates, oficinas e eleições simuladas. “Trabalhamos com o ensino fundamental e médio. Ao todo, já atingimos mais de 20 mil alunos”, explica Arthur Cézar da Silva Júnior, coordenador da corregedoria do TRE-DF. Segundo Silva, a participação de jovens candangos entre 16 e 18 anos, no entanto, ainda é relativamente baixa, quando comparada a outros estados. “Não temos um estudo científico que explique as causas desse fenômeno, mas pode estar relacionado com a falta de informação e a participação recente do DF na política - como só começamos a participar do processo eleitoral em 1986, ainda não atingimos uma maturidade política.”

Outra mobilização importante é a campanha Se Liga 16!, promovida pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Segundo o presidente da entidade, Yann Evanovick, essa é uma luta histórica do movimento estudantil. “A
Ubes sempre reivindicou o direito de voto aos 16 anos por entender que o jovem - já ativo em manifestações, protestos e discussões políticas - podia fazer pelo país. Que nós podemos ajudar a decidir de fato o projeto que queremos para o país, defendido por candidatos comprometidos com a juventude, a cultura, o esporte.” Ao todo, os estudantes devem percorrer 5 mil salas de aula até 5 de maio. Quando acabar o prazo para alistamento eleitoral, tanto os jovens do Vote Pra Mudar quanto os da Ubes vão iniciar uma segunda campanha. O objetivo é trabalhar na conscientização dos novos eleitores. “Eu perguntei em um colégio no Rio Grande do Sul quem se lembrava do candidato em que tinha votado nas últimas eleições. Praticamente ninguém se lembrava. Queremos estimular o voto consciente, para que o eleitor conheça a ficha do seu candidato e acompanhe as ações dele depois de eleito”, explica Yann. A estudante Talitha concorda. “Não temos nenhum partido, mas queremos mostrar que ser cidadão não é só votar, é preciso também cobrar um projeto político dos candidatos e investigar a ficha de cada um deles.”

Transferência - O estudante de ciência política da UnB Gabriel Santos Elias, 23, já é obrigado a votar. Mas, mesmo com a possibilidade de justificar o voto, já que o título dele é de Minas Gerais, Gabriel também faz questão de participar e transferiu o título. “Antes pensava muito na política nacional e pouco no Buriti. Mas percebi que é esse descaso que gerou a crise em que estamos. Por isso quero trabalhar na mudança do cenário político do DF também.” Para transferir o voto, o eleitor precisa residir no estado há, pelo menos, três meses e não ter feito outra transferência há menos de um ano. Caso perca o prazo, ele deve se apresentar no dia das eleições para justificar a ausência ou então viajar ao estado de origem para votar. Há também o voto de trânsito, no qual o eleitor que está temporariamente fora da cidade de origem pode votar para presidente. Basta procurar uma zona eleitoral

Um comentário:

  1. Olha este texto dispensaria comentários tamanha a evidência dos fatos...o que acontece com os jovens é o resultado do descrédito dos pais e responsáveis, e das pessoas de convívio, enfim, eu mesma me senti desmotivada a incentivar minha filha a fazer o título, eu sei isso é feiooo muito feioo, (ai q vigonha) mas foi inconsciente, eu juro! é muito político podre cara, é muita sujeirada q nem cabe mais debaixo do tapete e explode pra fora, e nos sufoca asfixiantemente, ...mas calma...eu estou vendo uma luz no fim do túnel, nem tudo está perdido...

    Iris, migaa me puxa a orelha se eu to falando bobagem, mas penso que meios assim de comunicação servem pra isso, expor idéias, debater assuntos de interesses, concordar, discordar, e principalmente ACORDAR!

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