sexta-feira, 14 de maio de 2010

Dia da Família na Escola


No dia 22/05/2010, sábado, a ESCOLA CLIC EDUCAÇÃO estará aberta para receber a visita da família de seus alunos. É o Dia da Família na Escola, que tem como objetivo sensibilizar a sociedade, pais, professores, diretores e funcionários para a importância da integração e do acompanhamento dos pais e familiares nas atividades pedagógicas e socioeducativas desenvolvidas pela escola de seus filhos.
Quanto maior o envolvimento dos pais, melhor o desempenho do aluno, que ganha segurança, auto-estima e melhores notas. Dividindo responsabilidades; somando esforços; multiplicando resultados e diminuindo a evasão escolar, certamente será possível manter a qualidade do ensino e ampliar o desempenho escolar e pessoal dos alunos.


Conheça nossa programação e venha participar.
8:30-Campeonato de futebol de areia (pais séries iniciais x pais séries finais)
Campeonato de voleibol (mães séries iniciais x mães séries finais)
8:30 às 9:30-Oficinas de artes – (Sala de artes)
Oficina do clube de mães – ( confecção de flores)
9:30 Apresentação de teatro “Tecnolgia na Sociedade”.
10h Apresentação de Capoeira e Karatê (anfiteatro)
10:30 Homenagem às mães, atividades surpresas.
8:30 às 11:30 Apresentação do Blog da Escola Clic Educação).
8:30 às 11:30 Demonstração de 1ºs Socorros (pátio da escola)
Aeróbica e Muito mais.


Venha participar.Sua presença é muito importante!

domingo, 9 de maio de 2010

Feliz dia das Mães


Como diretora dessa escola vejo muitos fatos, e alguns me emocionaram ao longo da minha vida escolar. Mas o que vou relatar hoje é especial, mexeu comigo e com todas as professoras envolvidas.
Nesse ano recebemos os novos alunos do pré, e no primeiro dia eu vi um pai abraçado ao seu filhinho, e não ia embora.
Fui lá falar com ele, disse que estava tudo bem que poderia ir pra seu trabalho sossegado porque a professora já estava em sala. O pai meio inconformado deixou a sala, e seguiu quieto o seu caminho.
No outro dia lá estava o pai de novo abraçado ao seu filho, parecendo uma coruja protegendo aquele pequeno ser. A mesma cena se repetiu eu disse à ele que já poderia ir, que cuidaríamos daquele aluno dali em diante.
Fomos andando no corredor e ele me contou sua triste história... Sua esposa morreu de câncer faz 6 meses apenas e ela fez um pedido especail à ele: levar o filhinho todos os dias na escola cuidar dele porque ela não poderia fazê-lo. Nem preciso dizer que engasguei e disse sinto muito senhor!
Isso me fez escrever aqui hoje e dizer Feliz dia das Mães e em especial à esse Pai que não vou falar o nome mas faz parte da nossa escola. Pai desculpe-me por relatar isso aqui, mas não pude deixar de lhe homenagear neste dia.
Parabéns à todos nós da Escola Clic Educação

Para aprender a incluir

Inclusão sim ou não?

Programas do MEC fornecem recursos e formação para facilitar a inclusão de crianças com necessidades educativas especiais.
Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade Leia mais

sábado, 8 de maio de 2010

EVASÃO ESCOLAR

Ninguém fica de fora
Saiba como você, gestor, pode proceder para combater a evasão e garantir a presença de todos os alunos na sala de aula


As aulas já começaram há algumas semanas e, a esta altura, os alunos estão adaptados e as atividades escolares, em pleno curso. Mas você já conferiu se todos os matriculados estão realmente frequentando as classes ou se há alguém que falta regularmente ou nem sequer apareceu?

O problema do abandono dos estudos e da evasão preocupa os educadores e responsáveis pelas políticas públicas. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a evasão atinge 6,9% no Ensino Fundamental e 10% no Ensino Médio (3,2 milhões de crianças e jovens, segundo dados de 2005). São mais 2,9 milhões (dados de 2007) que abandonam as aulas num ano e retornam no seguinte, engrossando outro índice preocupante: o da distorção idade e série.

Há muitos motivos que levam o aluno a deixar de estudar - a necessidade de entrar no mercado de trabalho, a falta de interesse pela escola, dificuldades de aprendizado que podem acontecer no percurso escolar, doenças crônicas, deficiências no transporte escolar, falta de incentivo dos pais, mudanças de endereço e outros. Para serem minimizados, alguns desses problemas dependem de ações do poder público. Outros, contudo, podem ser solucionados com iniciativas tomadas ao longo do ano pelos gestores escolares e suas equipes (veja as ilustrações desta reportagem), que têm a responsabilidade de assegurar as condições de ensino e aprendizagem - o que, obviamente, se perde quando a criança não vai à aula.

Além disso, como diz Maria Maura Gomes Barbosa, coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac) e consultora de NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR, "o acompanhamento da frequência é necessário para que a escola possa atender com qualidade e equidade, planejar e organizar a formação e a atribuição das classes e organize as salas e para que o gestor tenha elementos para analisar adequadamente o movimento na instituição e o andamento do processo de ensino e aprendizagem dos alunos".



Também pode ser levado em consideração o impacto que o abandono e a evasão certamente provocam no orçamento de uma rede, já que a distribuição dos investimentos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) é feita de acordo com o número de alunos que efetivamente estão matriculados e frequentam a escola.

O controle das ausências dos alunos gera benefícios muito além dos recursos financeiros às redes de Ensino. Isso porque, quando cada diretor age em sua escola e, depois, compartilha dados de evasão e abandono com os demais diretores, é possível tomar providências em conjunto. De acordo com Maura, "é preciso cuidar para que as medidas não sejam personalizadas e que os gestores contem com a orientação da Secretaria de Educação para atuar em rede".

Ações de combate à evasão devem ser aplicadas o ano inteiro

Os procedimentos para o acompanhamento da frequência precisam estar contemplados no projeto político pedagógico da escola e na pauta de discussão com o corpo docente nas reuniões de planejamento. A primeira medida eficiente para que esse controle seja feito diariamente é a tradicional chamada, que os professores devem ser incentivados pelos gestores a fazer em todas as aulas. "Chamar os alunos pelo nome também é uma das formas de construir vínculos e dar identidade ao grupo", afirma Maura. Para que isso aconteça, é preciso ter, desde o primeiro dia, planilhas completas com os nomes de todos os estudantes, preparadas com a ajuda da secretaria da escola - e essas precisam ser analisadas regularmente pela equipe gestora. Dessa forma, tem-se uma boa ferramenta para observar a rotatividade na escola, que está presente desde o começo do ano, e traçar estratégias para lidar com ela.

Também no primeiro semestre, o diretor realiza o Censo Escolar e preenche as tabelas com dados de aprovação, reprovação e movimento escolar solicitadas anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). "Depois que essa tarefa termina", aponta Maura, "é preciso continuar buscando medidas para acompanhar a presença dos estudantes, trabalhando sempre para conservar ou aumentar o número de crianças e jovens com acesso à Educação".





Nesse percurso, o diretor pode se deparar com problemas de origem pedagógica. Existem casos de crianças que deixam de ir à escola porque apresentam um desempenho ruim e há também aquelas que, no extremo oposto, evadem ou abandonam os estudos por não se sentirem desafiadas e estimuladas. Tais situações requerem a parceria com o coordenador pedagógico e, por vezes, a implantação de projetos de formação que auxiliem o professor a ensinar para todos.

A equipe gestora também pode se unir para lançar mão de conversas com a comunidade, cartazes, visitas às famílias e meios de comunicação disponíveis na cidade para dar um fim feliz às histórias de abandono e evasão. Todas essas são formas de chegar até as famílias do entorno e mostrar a elas que a escola se preocupa com os seus filhos. Se nenhuma dessas ações funcionar, ainda é possível recorrer ao Conselho Tutelar (que entra em contato com as famílias para garantir que os direitos de crianças e adolescentes sejam cumpridos) ou, em último caso, ao Ministério Público (que toma as medidas judiciais cabíveis). Mas isso somente em casos extremos.

Por Noêmia Lopes (http://www.revistaescola.com.br/)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Reciclagem e Você



Mais que um modismo, reciclar é uma tendência cada vez mais presente e
necessária à humanidade. Reciclar objetos considerados como lixo, representa para o ambiente uma grande economia de energia, recursos naturais além de poder ser uma fonte de renda para algumas pessoas. Quando reciclamos algo estamos trazendo de volta a vida útil algo considerado não mais necessário e com esse ato poupamos o planeta de uma degradação ainda maior que a esperada, pois reduzimos consideravelmente a quantidade de lixo lançado no ambiente.




Quase tudo pode ser reciclado, como:
jornal, garrafas pet, madeira, vidro, papel, latinhas, etc.





sábado, 1 de maio de 2010


Adolescentes sem vontade de ir às urnas
Número de jovens entre 16 e 17 anos que tiraram o Título de Eleitor cai 28% em 2010. Prazo para se alistar termina em 5 de maio
O prazo para tirar o Título de Eleitor termina no próximo dia 5, mas muitos jovens ainda não se alistaram. Desde a última eleição, o número de eleitores brasileiros com 16 e 17 anos — que têm o voto facultativo — caiu 28%. Os adolescentes, que em 2006 ultrapassavam 2,4 milhões de votantes, não chegam a 1,8 milhão este ano. A queda também atingiu o Distrito Federal, mas em menor proporção. O total de eleitores com menos de 18 anos diminuiu 10,6%, o que significa uma baixa de 2.489 votantes nessa faixa etária. Para estas eleições, já se alistaram mais de 59 mil eleitores candangos de 16 a 18 anos. A estudante Alícia Cannes, que completa 16 anos em maio, engrossa essa estatística. Ela diz que prefere não votar porque está insatisfeita com a política brasileira. “Para mim, nenhum dos candidatos é bom o suficiente, cada um tem alguma coisa que estraga”, observa. “As pessoas deveriam se importar mais quando os políticos erram e protestar para mudar alguma coisa.”

O comportamento de Alícia é considerado normal na avaliação da professora de ciência política da Universidade de Brasília Lúcia Avelar. “Os jovens, em geral, podem ter tanto um desencanto e achar que não tem jeito mesmo, que todo mundo é ladrão, quanto fazer parte dos movimentos pela prestação de contas dos políticos, o chamado controle cidadão.” É desse segundo grupo que fazem parte os estudantes da UnB responsáveis pela criação do movimento Vote Para Mudar. “Nosso objetivo é fomentar a importância do voto, mostrar que cada um faz a diferença”, explica a estudante de direito Talitha Selvathi, 24.

O grupo estimula o alistamento eleitoral, com visitas a colégios e a universidades do DF. Nelas, é realizado o cadastro no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A partir de então, os novos eleitores têm cinco dias para completarem o registro em qualquer cartório eleitoral. Ao todo, cerca de 300 jovens já se alistaram com o movimento. A estudante da UnB
Gabriela Rondon, 19, foi uma delas. “Isoladamente o voto não muda nada, mas, quando um conjunto se mobiliza, sim”, ressalta. De acordo com Lucia Avelar, a participação de jovens na política está associada aos diferentes graus de escolaridade e condições socioeconômicas. “Os mais educados são muito mais interessados na política. Muitas vezes fazem inclusive parte dos movimentos sociais que atuam na política. Do outro lado, estão os que trabalham e se interessam pela política apenas lateralmente - ou seja, pensam nisso de vez em quando, vão a uma ou outra mobilização por ano, a não ser que tenham tido algum contato com pastorais, igrejas, que normalmente politizam esses jovens.”

Eleitor do Futuro - Com o objetivo de estimular a participação dos jovens eleitores, outras iniciativas foram tomadas. O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) desenvolve há mais de seis anos o projeto Eleitor do Futuro. O programa é uma parceria com a Secretaria de Educação do Distrito Federal e busca conscientizar jovens estudantes da importância do voto, por meio de debates, oficinas e eleições simuladas. “Trabalhamos com o ensino fundamental e médio. Ao todo, já atingimos mais de 20 mil alunos”, explica Arthur Cézar da Silva Júnior, coordenador da corregedoria do TRE-DF. Segundo Silva, a participação de jovens candangos entre 16 e 18 anos, no entanto, ainda é relativamente baixa, quando comparada a outros estados. “Não temos um estudo científico que explique as causas desse fenômeno, mas pode estar relacionado com a falta de informação e a participação recente do DF na política - como só começamos a participar do processo eleitoral em 1986, ainda não atingimos uma maturidade política.”

Outra mobilização importante é a campanha Se Liga 16!, promovida pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Segundo o presidente da entidade, Yann Evanovick, essa é uma luta histórica do movimento estudantil. “A
Ubes sempre reivindicou o direito de voto aos 16 anos por entender que o jovem - já ativo em manifestações, protestos e discussões políticas - podia fazer pelo país. Que nós podemos ajudar a decidir de fato o projeto que queremos para o país, defendido por candidatos comprometidos com a juventude, a cultura, o esporte.” Ao todo, os estudantes devem percorrer 5 mil salas de aula até 5 de maio. Quando acabar o prazo para alistamento eleitoral, tanto os jovens do Vote Pra Mudar quanto os da Ubes vão iniciar uma segunda campanha. O objetivo é trabalhar na conscientização dos novos eleitores. “Eu perguntei em um colégio no Rio Grande do Sul quem se lembrava do candidato em que tinha votado nas últimas eleições. Praticamente ninguém se lembrava. Queremos estimular o voto consciente, para que o eleitor conheça a ficha do seu candidato e acompanhe as ações dele depois de eleito”, explica Yann. A estudante Talitha concorda. “Não temos nenhum partido, mas queremos mostrar que ser cidadão não é só votar, é preciso também cobrar um projeto político dos candidatos e investigar a ficha de cada um deles.”

Transferência - O estudante de ciência política da UnB Gabriel Santos Elias, 23, já é obrigado a votar. Mas, mesmo com a possibilidade de justificar o voto, já que o título dele é de Minas Gerais, Gabriel também faz questão de participar e transferiu o título. “Antes pensava muito na política nacional e pouco no Buriti. Mas percebi que é esse descaso que gerou a crise em que estamos. Por isso quero trabalhar na mudança do cenário político do DF também.” Para transferir o voto, o eleitor precisa residir no estado há, pelo menos, três meses e não ter feito outra transferência há menos de um ano. Caso perca o prazo, ele deve se apresentar no dia das eleições para justificar a ausência ou então viajar ao estado de origem para votar. Há também o voto de trânsito, no qual o eleitor que está temporariamente fora da cidade de origem pode votar para presidente. Basta procurar uma zona eleitoral

Envolver pais e comunidade é estratégia de escolas para melhorar ensino
Agência Brasil
Duas escolas públicas, distantes milhares de quilômetros uma da outra, usaram estratégias bastante parecidas para melhorar a qualidade do ensino: mobilizaram os pais e a comunidade para que participassem da vida escolar dos alunos. As histórias da Escola Municipal Casa Meio Norte, de Teresina (PI), e do CEP n° 3 de Garupa (Província de Missiones), na Argentina, foram apresentadas na quarta-feira (28/4) durante um encontro internacional de comunicadores da América Latina, em Foz do Iguaçu (PR). Os dois colégios se localizam em áreas pobres e periferias das cidades. No caso da escola argentina, a maior dificuldade era convencer os alunos a frequentar a escola. A região teve um crescimento populacional muito rápido e as sete escolas não foram suficientes para atender a toda a demanda. Pais e alunos tiveram que se unir para construir uma unidade. Hoje, já são 22 colégios. "No começo, os alunos tinham que estudar em escolas distantes, mas não tinham dinheiro para a passagem, então não iam à escola. Quando conseguimos a escola na nossa comunidade, os jovens já tinham perdido o interesse pelos estudos. Achavam que a situação seria a mesma – se estudassem ou não”, contou a diretora Graciela Sommerfeld. A escola criou diferentes oficinas – de teatro, patinação, atletismo, basquete – para que os alunos se sentissem “acolhidos”. “Isso tem muito a ver com o fato de tomar o aluno como um ser e não como um número. Isso gera um vínculo com o professor, com algum funcionário da escola, e faz com que sinta a necessidade de estar lá”, explicou Graciela.

Na Casa do Meio Norte, que se localiza na periferia de Teresina, os pais são chamados ao dever de assumir suas responsabilidades e
cuidar da educação dos filhos. “Se uma mãe não matriculou o filho no início do ano, nós vamos à casa dela lembrá-la dessa obrigação. O mesmo acontece se um aluno falta, no mesmo dia vamos até a casa dele saber o que aconteceu”, exemplifica a diretora da escola, Ruthnéia Alves. “Somos conhecidas como as cangaceiras da educação. Um dia sem aula é um dia sem aprender”, afirmou. Como o colégio se localiza em uma região muito pobre, a equipe da escola aposta no que chama da “pedagogia do amor”, para criar esse vínculo afetivo com os alunos. “A família quer ser incluída, mas é preciso apenas que a escola saiba dizer a ela que está aberta para a participação”, defendeu Ruthnéia. Nas avaliações do Ministério da Educação, a escola piauiense, que atende 900 alunos, obteve resultados acima da média nacional. O foco do trabalho está na leitura.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Professor vai virar artigo de luxo


Carreira docente não goza de popularidade entre estudantes do ensino médio. É um mau sinal- na causa e no efeito



Apenas 2% dos jovens brasileiros se dizem interessados em seguir a carreira de professor. O dado é de um levantamento feito pela Fundação Carlos Chagas, a pedido da Fundação Victor Civita, com 1.500 estudantes de ensino médio de todo o país. O objetivo do estudo era medir a atratividade da carreira docente, que a contar pelos resultados não anda atraindo muita admiração. Enquanto carreiras como Medicina, Direito ou Engenharia estão no topo do ranking das mais procuradas, o curso de Pedagogia ocupa apenas a 36.ª posição em uma lista de 66 profissões preferidas pelos vestibulandos.
Os motivos para o desinteresse vão desde a pouca afinidade com a profissão, passando pelo desestímulo da família e claro a falta de perspectiva com a baixa remuneração.


Na percepção dos estudantes, ser professor significa trabalhar muito, ser mal remunerado e ter praticamente nenhum reconhecimento social.
O estudo confirmou também uma tendência que já vem sendo observada nas últimas décadas. Com a falta de interesse de alunos de classe média nos cursos de Pedagogia, as vagas vem sendo preenchidas por estudantes de renda mais baixa, na maioria das vezes provenientes de escolas públicas e que em alguns casos apresentam desempenho ruim nos estudos. De acordo com a pesquisa, 87% dos jovens que manifestaram a intenção de se tornar professores eram do ensino público. Além disso, o interesse pela profissão parece ser inversamente proporcional ao grau de instrução dos pais, ou seja, quanto mais estudo tem os pais, menos os filhos demonstram interesse pela docência.

Na opinião da professora e doutora em educação, Regina Maria Michelotto, para entender esses comportamentos é preciso uma visão histórica. “Até meados do século XX o professor era visto com prestígio, era um profissional valorizado cujo salário permitia uma vida digna. Com uma mudança social e econômica, a profissão vai perdendo status para outras e o jovem que antes escolhia a carreira com base em uma visão humanista e levando em conta a realização pessoal passa a decidir de acordo com o mercado”, explica. Para ela, o fato de alunos de renda menor estarem ocupando essa lacuna deixada pela classe média tem vantagens e desvantagens. Por um lado, esses jovens encontram uma oportunidade de ingressar no ensino superior e por conhecerem melhor a realidade de áreas mais pobres podem desenvolver um trabalho mais próximo das comunidades. Por outro, há o agravante de muitos escolherem a profissão não por vocação, mas sim pensando na baixa concorrência no vestibular. “Esse é um retrato da imensa desigualdade social no Brasil. O que resta para o aluno da escola pública são os cursos de menor concorrência”, concorda a coordenadora de ensino superior da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Sônia Adum.

Nas universidades públicas do Paraná, o perfil dos estudantes que prestam o vestibular para o curso de Pedagogia é o mesmo do retratado na pesquisa nacional. Enquanto os candidados dos cursos mais visados, como Medicina e Direito, são de família com renda mais alta, estudaram em colégios particulares e frequentaram cursinhos preparatórios, os estudantes inscritos em Pedagogia em geral são provenientes de escolas públicas, pertencem a famílias mais humildes e sequer frequentaram um cursinho.

Nem a própria estudante Luiza Paula Michelotti sabe explicar ao certo porque marcou a opção Pedagogia no vestibular. Concluindo o último ano da graduação na Universidade Federal do Paraná, ela que chegou a cursar um semestre de Letras na Pontifícia Universidade Católica do Paraná mas desistiu, já pensa em tentar vestibular novamente. “Acho que vou prestar para desenho gráfico”, conta. Luiza reconhece que não tem interesse em dar aulas e não pretende seguir a carreira de professora. “Desde que entrei penso em desistir, mas aí fui levando. Fui fazer Pedagogia porque minha irmã também ia tentar e eu não sabia ao certo o que queria, tentei e passei”, admite.


Exemplo
Grande parte dos alunos ouvidos na pesquisa afirmou também que se sente desmotivada em seguir a carreira docente por presenciar as dificuldades que seus professores enfrentam em sala de aula. A imagem que os próprios professores passam da profissão tem influência sobre a opinião dos jovens, ou seja, boa vivência na escola favorece uma aproximação com a ideia de ser professor. “O exemplo é fundamental, se o aluno vê o professor desmotivado, chegando na sala de aula já com uma postura derrotada, é claro que ele não vai querer isso para si próprio. Claro que a remuneração é importante, mas é preciso trabalhar também com a auto estima desses professores, com a formação, para que eles se sintam valorizados e isso se reflita em sala de aula despertando nos jovens a admiração pela profissão”, defende Sônia.


Fonte:Gazeta do Povo